Nossa Promessa

Não luto mais contra a vontade de evitar os pensamentos sobre você. Saber que tenho a preocupação de como está sendo seu dia ou se ao menos está bem, me conforta. Porque esse é o meu limite, nada além de pensar. Se procuro a resposta estou sendo desoneste comigo, então deixo a vontade de ouvir sua voz de lado. O mesmo timbre que uma vez fez meu coração bater mais rápido, hoje está apagado igual os áudios que eu deletei quando fiz aquela promessa.

Ás vezes agradeço por não termos tirados fotos quando tivemos oportunidades, embora serviríamos como ótimas recordações, o fantasma da sua ausência se faz mais belo, porque não é capaz de me tocar, muito menos consegue provar que um dia fomos próximes o suficiente para revelar nossos segredos.

Quando eu penso em te encontrar, noto que é o momento errado, pois não posso querer. Sei que será mais simples te encontrar pelo acaso como foi nosso primeiro encontro. Porque muita coisa mudou, já não ando com as mesmas pessoas, não moro no mesmo lugar. A palavra “mesmo” não pertence a minha vida. Mudei tanto nos meses para cá que percebo o quanto foi bom recomeçar, mas seu fantasma ainda sabe sussurrar e a incerteza se a promessa daquela noite continua de pé.

Eu fiquei sabendo de você semana passada e não gostei das novidades, confesso que meu peito apertou, não por desejar ter você nos meus braços, mas de ver que continua sem ter alguém para se apoiar. Seus elos continuam frágeis, como o seu amor por iles. Cadê sua promessa nisso tudo?

Ainda consigo ouvir ecoar suas desculpas, a graça de passar a noite bebendo é fazer os outros acreditarem que tudo se perdeu, pois sei o quanto é fácil dizer que não lembra, pois uso a mesma desculpa para dizer que não te amei. Só que eu continuo aqui tentando não ultrapassar o limite e te vejo brincando de ioiô com os outros e noto o quanto não sei jogar.

De vai e vem só fui bom na cama, mas fora sou impaciente demais e vejo você fazendo a mala enquanto digo que não precisa voltar, porque não quero que volte. Só que depois de um tempo, desejo novamente dividir o chuveiro contigo e faço questão de não convidar.

O motivo não é meu egoísmo, está claro que sempre que vem, uma hora vai e observando com quem está agora, principalmente como brincam desse jogo de apego e desapego, noto o quanto é bom tomar o banho sozinhe, afinal, sua promessa ainda ecoa em mim e dói ver que está longe de cumprir.

Penso que se eu perguntasse, provavelmente usaria suas desculpas decoradas, sabendo dessas respostas, procuro focar somente na minha que tento cumprir.

Isso basta para não atravessar a linha, pois se torna o suficiente para saber somente dos outros como está a sua vida, eu não pergunto de ti, porque é o mistério que alimenta minha esperança. Nem desejo que venha até mim, pouco sei sobre como deveria agir. Você era meu enigma que nunca soube resolver, guardando em seguida na prateleira para tentar mais tarde, quando eu estiver mais madure o suficiente para ter novos palpites, pois até agora só encontro “E Se” nas tentativas e nem eu as considero como válidas.

Percebi tarde demais, mas cedo o suficiente para aceitar que os olhos lacrimejados eram de choro e não de uma felicidade incompreendida. Se hoje eu choro é para transbordar esse rio que com o tempo me tornei, esse mesmo rio que vi você se banhar e agradeço de coração por ter ido antes que secasse.

Texto de Emanuel Tuê da Silva Silvano.

Desoneste: Desonesta/desonesto.

Próximes: próximos/próximas

Sozinhe: Sozinha/sozinho.

Ua: eu e tu, compartilhamento, posse, título.

E: nó, laço, amarra, firmação, trancafiar.

Tuê: laço de vida, amizade, vinculo.

Etuê: promessa, dívida, dois nós.

Ua etuê: Nossa Promessa.