O labirinto

Seguiu para dentro do labirinto por aquele caminho, pois nada lhe indicava o correto, se dobrasse a esquerda não significaria que não estaria na direita em breve. Muito menos o reto lhe parecia o caminho certo, tendo a vaga sensação de estar voltando. Dobrou sem perguntar duas vezes qual caminho seguir, afinal se perguntasse cairia na aflição do desconhecimento.

Estava tomade por uma sede. A sede de não saber, a sede da sua ignorância e o gosto salivava sua boca caminhando sem rumo enquanto desejava mais.

Cansade de procurar em achar o caminho, dessa vez, andava querendo olhar o caminho. Até mesmo aquela árvore que encontrará três vezes anteriormente, agora estava mais bela, talvez a beleza tenha surgido, pois não olhará com raiva.

 

Era a árvore, esperava-se a árvore, aceitar a árvore foi a coisa mais fácil do que não querer vê-la.

Aceitando a árvore, parou para aproveitar a sua sombra, do descanso, deliciou-se com o fruto oferecido. Passou um tempo, um enjoo ocasionou um vomito. Observando o que sobrou, o resto mastigado, decidiu ser o momento para andar.

 

Não pensou para qual lado seguir, quando se deu conta, não tinha certeza nenhuma se conseguiria chegar na árvore, assim, andou sem se preocupar em encontrar a árvore e dessa vez demorou muito para encontrá-la e quando se aproximou, descobriu não ser a mesma árvore.

Lembrava que aquela tinha sua marca, sem seu vínculo, decidiu criar com ela e comeu seu fruto. Dessa vez, saiu andando, pois no fundo aquela árvore não merecia seu vômito. Podia fazer diferente e andou sem pensar.

Quando se deu conta, estava na saída do labirinto, o seu destino era o mesmo e não importava se sabia ou não o caminho, pensar ou deixar de pensar ainda lhe levava.

Do outro lado do labirinto descobriu estar em outro.

2. O Peso de querer entrar

Sentou de frente para uma parede branca, distante dos ecos alheios, pedia por descanso e o mais longe possível ficou, poupando os outros do incomodo e de si.

Parade, desejou a árvore, da fome lembrará do enjoo que teve e pensou mastigar melhor na próxima. O que via agora era que podia ter aproveitado, porque mesmo tendo ido descansar nela, fez com pressa. Queria sair do labirinto e agora estando em outro desdenhou de querer sair logo.

Cagou para a pressa, sentiria a fome mesmo querendo correr de volta para a árvore. Que sentido fazia ficar perdide em um labirinto sem comida? Até pensou em voltar e qual garantia teria que conseguiria? Lembrou da segunda árvore, sua chance era dobrada, mas pelo o quê?

Andou tanto sem pensar que agora pensar em tudo que fez não adiantava em nada.

Não levantará tão cedo, até pensou em morrer de fome, mas não daria o gosto para aquele labirinto, então fechou os olhos. 

Imaginou o formato da maça, da sua saliva transformou no sabor suculento que outrora experimentou, naquela posição sentiu o tronco. Sua rigidez, a mesma da árvore. Se acomodou e até o vento sentiu.

Não abriria o olho nunca mais, estava onde queria estar, estava fazendo o que queria estar fazendo então foi arrastade de volta com alguém sacudindo forte e mesmo abrindo o olho, viu entre as folhagens a parede branca.

Distanciando aos poucos enquanto notara que estava na árvore. Novamente descobriu que nunca sairia do labirinto, mas ao menos tinha comida nesse.

3. Como sair?

Primeira coisa que fez foi sorrir para o estrangeiro. Alcançou a primeira maça que viu e a mastigou. Sem a pressa, puxará conversa fiada, descobrirá que foi sacudide porque o outro achava que estava morto. Riu da situação pois minutos atrás acreditou na sua morte, aceitou ela tão fácil e agora com a boca cheia estava longe de não querê-la. O labirinto lhe pegou novamente, estava longe de querer sair dali.

O estranho explicou que achou uma árvore diferente de todas indo para aquela direção. Apontou afirmando, enquanto dizia: não importa o quanto pense em dobrar para qualquer lado, naquela direção sem parar tu vai achar.

Não pensará de primeira em ir naquele lugar, aproveitaria o tempo naquela árvore, sem saber o nome assistiu o outro seguir o caminho oposto, dizendo que por lá ouviu outra pessoa dizer que tinha uma árvore diferente também.

Depois de mais alguns minutos uma nova pessoa, essa caminhou devagar na sua direção e quando percebeu paralisou. Enquanto ria jogou uma maça que por sinal foi devorada, então deu o conselho que aprendeu antes de acordar ali e ao se aproximar, percebeu certo medo.

Perguntou-se a quanto tempo estava no labirinto, pois até o momento acordara enquanto era dia e nada da noite chegar. Quando fez, a resposta recebida não lhe surpreendeu, aquela pessoa andará naquele labirinto cinco dias e foi quando entendeu um pouco mais onde estava.

Tinha fome e precisava de comida, tinha o fim do labirinto que era só dobrar ali. O motivo dela não sair era não saber como parava lá.

4. Exercício de pensar

Falhou de novo, se fosse preciso contar tudo, depois de dias lá, ile e ela decidem sair da árvore. Digo que falharam porque estão na árvore. Sem os frutos que foram colhidos, totalmente sem comida. Fracassaram, pois tinham partido antes e como voltaram não lhe sobrou a comida.

Aqui não se pergunta quantos dias, aqui se pergunta o quão longe chegou. Se calculássemos o tempo, entenderíamos que eles calcularam com a única coisa que registrava as horas. Seu tempo era a maça. Uma ao acordar, outra antes de dormir, nessa tentativa levaram vinte e seis frutas.

Agora nem as partes da roupa possuem, as arrancadas para conseguirem levar aquela quantidade ficará lá. Retornaram num piscar de olhos e em trapos. Aqui nesse lugar você vive sem comer. Cansaram de contar quantas vezes dormiram até achar outra árvore. Nem sequer souberam qual caminho tiveram para dizer como chegar nessa árvore e ali conseguia de longe ver a saída.

Mastigaram a maça pensando na loucura e seu sabor amenizava, igual a esperança ao chegar, parecia dizer: ali está a saída, uma hora conseguirá.

No fim, só conseguiam comer e pensar em como sairiam, por causa disso pediram desculpas para a árvore. Lamentavam vê-la quando retornassem. Dos galhos finos amarraram em troncos mais grossos e das cestas levaram muito mais. Aqui você não luta por comida, mas ao atravessar. Não sabe nada daquele que está quase uma eternidade sem comida e principalmente o que faria para estar mais um dia naquela loucura.

 

Ile e ela andaram quilômetros, porque do outro lado. Tudo que pesa se torna leve, se as coisas não estivessem presas, certamente perderiam sem notar. Dos ecos e passos, dobravam ali, depois lá, outras vezes logo ali de novo. Ile jurou ter visto a saída antes do seu último piscar.

Da árvore em trapos, agradeceram enquanto se despediam e quatro horas acreditam terem levado para achar outra árvore. Dessa vez, não precisaram encontrar alguém falando onde tinha outra. Iles tinham entendido que toda vez por essa direção acharão e acharam.

Parades ali conseguiam ver a saída de longe e de novo comeram pensando como chegar na outra saída. Então repetiram tudo de novo, na partida uma última fruta foi comida por iles ali. Do outro lado daquele labirinto, não comeram as sementes. Guardaram nos bolsos até que ficaram sem comida.

Não existia desespero de achar o lugar. Jamais sairiam nessa tentativa, preparades com a aceitação da fome, somente pararam de caminhar, ficando no mesmo lugar. No chão, cavaram o quanto acharam necessário, entupindo de restos, tampando em seguida para esperarem. Os dois confirmaram ver a mesma porta antes do último piscar.

A saída.

Quando abriram os olhos na árvore, abraçaram ela. Tão forte que poderiam arrancá-la se pudessem. Partiram dando um adeus e uma benção. Na outra árvore repetiram tudo, mas dessa vez dançando. Sabiam como sair dali. O logo ali é lá. Tudo estava pronto para partirem e caminharam até acabar toda a sua comida, sabiam o que aconteceria em seguida.

Riam daquilo, porque chegará a hora. Antes dali se achava seguindo sempre para lá. Aqui se acha quando não quer chegar lá, só quer mais uma maça. De olhos fechados, andaram sem enxergar nada até que suas mãos tocaram o inimaginável.

Abriram os olhos e estavam certos. Aqui o tempo passava rápido demais e ali estava a árvore que plantaram. Tão grande e farta. Comeram enquanto olhavam a saída e só sabiam rir.

 

Já não é mais logo ali era logo lá.

5. A oração

Entraram de barriga cheia, atravessaram o labirinto e enquanto olhavam para trás, a árvore se distanciava. Conforme andaram, as perguntas começaram, por que está vazio? Não enxergavam o chão, andavam reto. Deram mais alguns passos na esperança de baterem em algo invisível, mas não tocaram em nada. Retornaram para a entrada, voltando para a árvore, colheram algumas maças e entraram novamente. Dessa vez pensando que ganhariam tempo andando naquele lugar se tivessem comida.

Quando finalmente decidiram comer, o estralo de suas mordidas ocultaram passos que vinham de longe. Confrontades com uma miragem que não acreditavam estarem vendo. Uma criança distante caminhava na direção diles, aquiles dois se olharam, regalaram seus olhos, pois pela primeira vez viam uma criança. Todo aquele tempo no labirinto, jamais avistaram alguém que não aparentasse ter mais de vinte anos. Pela primeira vez, uma criança estava lá.

Quando a criança se aproximou, pediu uma maça. Enquanto comia, começou a dizer que estava esperando por iles à anos e que estava cheia de energia pelo reencontro, pois agora poderiam brincar naquele lugar, chamou o jogo de Diga e Faço.

Sem entenderem muito bem, ile pensou na árvore que vomitará e sem compreender como, embaixo dos pés da criança uma árvore começou a crescer. Exatamente igual a árvore que pensará. Logo ao seu lado o vômito.

“Cadê o chão?” ela perguntou para a criança, então o gramado começou a florescer.

 

Sentiram como se estivessem voltados para o inicio do labirinto, tudo era tão real, deitaram no chão. Sentiram a grama e olhando para cima perceberam que a árvore não tinha nenhuma fruta. Feito a pergunta do por quê não tinha nada, a criança não respondeu. Começou a enrolar uma conversa falando das maravilhas que poderiam fazer juntes, mencionou que poderia fazer um rio se quisessem.

Nenhum diles sabiam o que era um rio, até verem surgir um na sua frente. Era gigante e a correnteza era fluida, o som tranquilizava seus ouvidos. Estavam vendo pela primeira vez, banhando pela primeira vez naquela maravilha. Depois de um tempo, a criança pediu outra maça. Seus corpos molhados foram secados com um piscar de dedos. Passaram dias naquele lugar, andando através das coisas que criavam vinda das palavras que aprendiam. Dessa vez, iles tinham a noite e o brilho da lua, o tempo não passava pelas maças e das maças chegou o dia do seu fim.

 

Comendo as últimas, a criança mencionou que poderia fazer maças para sempre se iles quisessem, iles só teriam que fazer uma única coisa. Da dúvida, a criança explicou que precisava de uma oração.

 

Quando perguntado o motivo da oração, a criança respondeu que criará aquele mundo somente para iles que para poderem ficar ali para sempre bastava orar uma única vez, assim, começou a rezar para iles.

“De ti eu me fiz, para ti eu me doo. De mim se alimenta, para ti eu me ofereço. Nós somos seu, para ti eu me ajoelho.”

Ao terminar, iles perguntaram o que aconteceria caso não rezassem naquela noite. A verdade era dolorosa, significaria que ficariam até chegar o seu último piscar para então retornarem para o inicio do labirinto.

Morreriam de fome ali até não conseguirem mais ficar. Tornando todo o trajeto em vão, pois estando no inicio teriam que retornar para cá novamente. Bastando somente uma oração para ficarem ali para sempre, podendo comer das frutas daquele paraíso que criaram, se banhar nos rios, mares, cachoeiras que brotaram aqui.

Tinham medo de retornar, queriam tanto ficar, mas algo parecia não estar correto.

Qual a necessidade da oração? Se a criança era a razão de estarem ali, porque não poderia simplesmente aceitar iles ali. Então até na segunda noite, não rezaram.

Na manhã seguinte, a criança apareceu com muitas frutas, uma mais deliciosa que a outra e nenhuma saciava a fome diles. O motivo era a reza, a criança repetia sempre que depois da primeira oração o que fossem comer se tornaria real. No quarto dia, até a água não diminuía a sede e os melhores néctares não foram suficientes.

No sétimo dia, a criança implorava para que ficassem, queria tanto iles ali consigo e iles não entendiam porque não poderiam mesmo ficar, se ali era o fim, por que todo aquele percurso? O que a maça tinha de tão especial para ter lá e não ter aqui.


Quando piscaram pela última vez, escutaram o choro da criança acabar. Não tinha nenhuma criança lá, suas lástimas e juras tinham acabado e estavam naquele vazio novamente, percebendo que ambos seguravam uma semente na mão.

 

Quando jogaram no chão, viram elas caírem como se estivessem entendendo pela primeira vez que nunca existirá um chão, estavam o tempo todo flutuando. Do fundo, ouviram um barulho de gota e então dos seus pés tudo o que criaram anteriormente com a criança começou a nascer do vazio. O rio estava a sua frente e atrás a árvore que plantaram antes daquele lugar.

Grande e farta, a fruta transformará em realidade. O seu gosto era de verdade e quando notaram, bem longe atravessando o rio, viram três pessoas e não pareciam se importar com a presença diles.

(ATUALIZAÇÕES EM BREVE)

 

Texto de Emanuel Tuê da Silva Silvano;

Taha: significa consciência, saber, estado (ñ territorial, mental/psíquico).

An: perda de algo, desorientação, perdido.

Antaha: Labirinto, inconsciente, incompreensão ou incerteza.