O Pía da Praia

         Reparara tarde demais, cerveja na mão, chinelo fora do pé. MPB tocando no fundo, corrente de prata combinando com o cabelo descolorido. Sorrira pelo domingo merecido, a marca da sunga era o acúmulo de suas vitórias. Não estava armado, nem lhe passava na cabeça o turno de amanhã.

          Aquele sorriso… Oh muleque, esse sorriso é para quem? Seria para ti mesmo? Porque de maroto já não basta seu andar, notará tarde demais o que eu vi logo ao chegar. Dor de cabeça igual ressaca e insolação solar, tudo sintomas desse nosso encontro.

         De bobeira com amigues, Estrangeiro é o seu apelido, essas terras não lhe pertencem, esse daí já tem o mundo. Te chamo de Peregrino, te dou um copo d’água para tomar. Me conta como está sendo a sua jornada, o que pretende ver quando cada um dobrar a sua esquina. Na sombrinha do guarda-sol, te vi ali de bobeira, chutando a bola como um menino correndo atrás dela. O que faz as tuas brincadeiras tão divertidas? Só pode ser o gingado, tá explicado o joelho ralado.

          Moleque travesso, quero brincar desse pega-pega de quem encostou corre atrás do outro. Porque eu fui tocade, nem ouvi contarem até trinta ou explicado as regras do jogo. Só cheguei e tava comigo. Sei que vou te pegar, o teu descuido é a minha vantagem, quando em teus olhos eu me tornar alguém vivo e real, merecedore de recordações guardadas na mochila que carrega nessa cadeira de praia, perceberá que já te via vivo e dando uma volta comigo depois do trabalho.

 

De Emanuel Tuê da Silva Silvano.

Tocade: tocado/tocada.

Merecedore: merecedor/merecedora.